domingo, 29 de outubro de 2017

REDE DA DISCÓRDIA




As perspectivas de crescimento das redes subterrâneas no Brasil em curto prazo não são boas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador do setor elétrico e por onde o desenvolvimento das redes subterrâneas em âmbito federal deve ser iniciado, realizou até o momento poucas ações neste sentido. Em 2013, a agência promoveu seminários voltados às redes subterrâneas com a participação de concessionárias e outros agentes do setor. Um ano depois, em 2014, realizou uma consulta pública com o objetivo de receber contribuições sobre investimentos em redes subterrâneas e avaliar a necessidade de aprimoramentos. E só agora, em 2016, promoveu uma audiência pública para discutir o aprimoramento da regulação de investimentos em redes subterrâneas de distribuição de energia elétrica.

O diretor-executivo da RDS Brasil, Daniel Bento, acredita que a Aneel é omissa no que se refere à regulamentação das redes subterrâneas e morosa nas ações que devem levar a isso. De acordo com o diretor-executivo da RDS, é necessário que a agência defina uma meta, um objetivo e um prazo para a implementação das redes subterrâneas. “Se a Aneel não disser   como as concessionárias devem fazer, os projetos nunca sairão do papel. É preciso definir qual é a regra e não deixar as concessionárias correrem risco”, afirma.

Por sua vez, o proprietário da Tempo Giusto Consultoria Empresarial e ex-presidente da AES Eletropaulo e da EDP Brasil, Eduardo José Bernini, acredita que não é apenas por falta de uma regulamentação por parte da Aneel que as redes subterrâneas não avançam massivamente no Brasil. Segundo ele, um dos principais obstáculos é a falta de uma política pública que harmonize os conflitos e os interesses das empresas (de gás natural, água e esgoto, energia elétrica e telecomunicações) que utilizam a área subterrânea das cidades. Neste ponto, o problema é mais de ordem municipal do que federal. Bernini afirma que falta uma visão holística para infraestrutura urbana do país. “Quem deve harmonizar todas essas competências através de políticas públicas de caráter local é o município”, explica.

É preciso reconhecer, segundo o proprietário da Tempo Giusto, que a urbanização brasileira foi levada a cabo de uma maneira caótica e que o subterrâneo da cidade reflete esse caos. São usos selvagens, conforme Bernini, com empresas de gás natural, água e esgoto, energia elétrica e telecomunicações, dividindo espaço de maneira desorganizada, competindo desordenadamente pelo subsolo das cidades. “Trata-se de um subterrâneo desconhecido”, afirma o ex-presidente da AES Eletropaulo, destacando que mapas de subsolo não são garantia de nada. “Foram feitos em épocas em que a documentação não era realizada de forma rigorosa, existindo disparidade entre o planejado e o executado”. Em decorrência, há muitos anos, redes de gás e saneamento, por exemplo, acabam se atropelando.

A falta de planejamento urbano também é sentida, segundo Bernini, nas redes aéreas de energia elétrica das cidades do país. “A pior sequela que temos hoje nas redes aéreas é a ocupação de espaço reservado para os postes de cabeamento de telecomunicação, que é precária do ponto de vista do uso” explica Bernini. Para ele, a rede foi concebida para carregar as linhas primária, secundária, o transformador e os ramais que ligam os clientes, existindo também uma faixa destinada à Iluminação Pública (IP) e outra faixa para telecomunicação, que antigamente consistia em um par de cabos metálicos, exclusivamente para telefonia.

Atualmente, no entanto, os fios destinados à área de telecom aumentaram, com a inserção de cabos de fibra ótica, rede de TV a cabo, etc. Junte-se a isso a qualidade da manutenção destes equipamentos, que segundo Bernini, é muito ruim e ainda um emaranhado de fios nos postes, que torna as cidades menos bonitas e seguras. Dessa maneira, as redes áreas, que comportam, muitas vezes de uma maneira não organizada, cabos de energia elétrica e de telecomunicações, também são uma questão de política pública dos municípios, visando a revitalização urbana por meio do enterramento destas redes.

“O envolvimento da autoridade municipal é fundamental para alavancar as redes subterrâneas de energia elétrica no país”, reitera Bernini, destacando que ainda não houve, porém, a inserção do tema nos planos de urbanização das metrópoles. Por exemplo, no mais recente Plano Diretor Estratégico para a cidade de São Paulo, estabelecido via Lei 16.050/2014, que foi sancionada em julho de 2014, não houve menção às redes subterrâneas. “Como se o assunto não existisse, mas ele existe e é um problema”, afirma o ex-presidente da AES Eletropaulo, sublinhando que “não é prioridade porque está debaixo da terra, ou seja, não é visível”.

Além da falta de iniciativa municipal, através de políticas públicas, Bernini enfatiza outro problema que precisa ser solucionado a fim da maior difusão das redes subterrâneas no país: a viabilidade financeira. E isso passa pelo financiamento do projeto e pela recuperação deste investimento. As concessionárias não se veem estimuladas a fazer investimentos em redes subterrâneas, pois estes podem não ser reconhecidos pela Aneel no momento da revisão tarifária, fazendo com que as distribuidoras arquem com os custos integralmente.

Conforme o ex-presidente da AES Eletropaulo, a postura da Aneel é de que o investimento não onere a tarifa dos consumidores. Redes aéreas possuem vida longa, que pode ser estendida com manutenção e troca de equipamentos. Ao comparar o investimento marginal para a manutenção das redes aéreas com os investimentos visando à transformação de redes aéreas em redes subterrâneas, a distribuidora percebe que o primeiro é menor do que o segundo, optando assim pela manutenção das redes aéreas.
A Aneel apresenta ainda, no momento, um argumento poderoso, segundo Bernini, que impossibilita a preferência por redes subterrâneas. Enquanto um número restrito de pessoas se beneficiaria da conversão de redes aéreas por redes subterrâneas, o custo seria compartilhado com todo os consumidores da área de concessão de uma determinada distribuidora. A pergunta então permanece: como se forma o financiamento para investir em redes subterrâneas e como se recupera este investimento por meio da cobrança tarifária. “Quem vai auferir os benefícios? Quem vai pagar a conta? ”, indaga.

Se o impasse financeiro não for superado, não há também como se pensar em leis que tornem obrigatória a implementação de redes subterrâneas no Brasil, como as que foram instituídas na cidade de São Paulo. Nesse sentido, o presidente da Tempo Giusto destaca a necessidade de que se encontrem novos modelos de negócios. Um exemplo seria o modelo de concessão de exploração de redes e dutos, no qual uma empresa construiria uma via subterrânea para a passagem de redes e depois a alugaria para as concessionárias de água e esgoto, gás natural, energia elétrica e telecom. Uma maneira de, em um único meio físico, se efetuarem vários serviços.

MELHORIA DA PRODUTIVIDADE

Da atual rede de distribuição de energia elétrica brasileira, apenas 2% é composta por redes subterrâneas. Na Alemanha, um dos países mais desenvolvidos do mundo, 78% da sua rede é subterrânea, apresentando um índice médio de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) de 23 minutos. No Brasil, o DEC médio é de 18 horas. Quanto maior a duração de interrupção da energia, maior o tempo em que o país deixa de trabalhar e produzir riquezas, segundo o especialista em redes subterrâneas e diretor executivo da RDS Brasil, Daniel Bento, para quem a única maneira de se melhorar esses índices é por meio do enterramento de redes. Isto porque, explica o ex-presidente da AES Eletropaulo Eduardo Bernini, redes aéreas são vulneráveis. “Apesar da melhora de proteção, a taxa de falha é muito maior do que nas redes subterrâneas”, diz.

Um país desenvolvido possui alta produtividade. E um país que quer produzir precisa de uma infraestrutura adequada para isso. A energia elétrica é um elemento essencial da infraestrutura de um país, logo, a produção de energia elétrica e a falha em sua distribuição estão diretamente relacionadas à melhora ou piora da produtividade. O diretor executivo da RDS Brasil comenta que uma interrupção de energia pode afetar, por exemplo, o sistema de semáforos de uma cidade, gerando engarrafamentos. “Este tempo no qual o cidadão fica a mais no trânsito é um tempo desperdiçado, que poderia estar sendo usado para produzir”, diz. A interrupção de energia elétrica afeta também as indústrias, cujas máquinas precisam ser reiniciadas após a queda de energia. Este processo é demorado, afetando, consequentemente, a produção industrial.

Bento ressalta também como as redes subterrâneas podem melhorar a segurança e o turismo de um país. Segundo o diretor da RDS, a quantidade de mortes e de acidentes não fatais relacionada às redes aéreas de energia elétrica é bem maior do que a relacionada às redes subterrâneas. O enterramento de fios e cabos torna também a cidade mais bonita, atraindo, dessa forma, turistas para visitação. “Atualmente, neste sentido, existem várias iniciativas de prefeituras no país no sentido de instalar redes subterrâneas em algum lugar da cidade”, diz.

A Universidade de São Paulo é um caso que ilustra bem como a mudança de redes aéreas para redes subterrâneas está diretamente atrelada à diminuição do número de interrupções por falta de energia elétrica. No final da década de 1990, a universidade tinha sua energia elétrica distribuída por redes aéreas. Devido à alta densidade arbórea da região, nos meses do verão, época de chuvas fortes e ventanias, a incidência de queda de árvores nas redes aumentava e era alto o índice de interrupção de energia. Segundo o chefe da divisão de infraestrutura da Cidade Universitária, Enea Neri, a frequência de interrupção de energia na USP naquele período costumava ser de aproximadamente 40 vezes e a duração média chegava a cerca de 12 horas.

Em 1996, foi firmada uma parceria entre o Instituto de Energia e Ambiente (IEEUSP) e a Prefeitura da Cidade Universitária para o desenvolvimento de um projeto de rede subterrânea em média tensão na universidade, em moldes distintos do realizado pela AES Eletropaulo. O projeto, que foi financiado em parte pela Fapesp e em parte pela própria USP, consistiu no enterramento dos cabos diretamente do solo, com fitas de sinalização de alerta, ao contrário do que é feito pela concessionária, que utiliza bunker de concreto para vedar os fios e os cabos elétricos. “Esta parte civil é muito dispendiosa”, explica Neri.

Ao todo, de 1998 a 2000, foram instalados e energizados 28 km de cabos, sendo 23 km de rede tronco (principal) e 5 km de derivações (radiais) que atendem às cabines primárias. A rede alimenta a cidade universitária inteira – 65 consumidores diretos, entre faculdades, institutos e outras unidades. Desde então, conforme o chefe da divisão de infraestrutura da Cidade Universitária, não foram registradas mais interrupções em razão de intempéries.

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domingo, 22 de outubro de 2017

MUITAS DÚVIDAS SOBRE OS CARROS ELÉTRICOS NO BRASIL




Já é possível avistar veículos elétricos nas ruas, contudo, estão longe de estar popularizados. Apenas 1% do mercado global de automóveis é movido a eletricidade.

Às vezes têm-se a impressão de que o futuro já chegou. Tecnologias mostradas em filmes da década de 1980 e 1990, e que aos olhos da época eram devaneios, fantasia, pura ficção, apresentam-se hoje como realidade.  Exemplos não faltam, como eletrodomésticos que conseguem conversar entre si e realizar as tarefas de casa com uma simples programação; luzes que se acendem e que se apagam com um bater de palmas; chamadas por vídeo; e veículos movidos a energia elétrica. Algumas tecnologias já fazem parte de nosso cotidiano, outras começam a querer se tornar objetos corriqueiros nas vidas das pessoas.

O veículo elétrico, por exemplo é tema recorrente de notícias e cada vez mais debatido em conversas do dia a dia. É possível avistar alguns modelos pelas ruas, mas a tecnologia está longe de ser tão popular quanto o tradicional veículo de motor a combustão. De acordo com o site de negócios de origem norte-americana especializado em finanças, tecnologias e mídia, Business Insider, apenas 1% do mercado global de automóveis é movido a eletricidade. Para se ter uma ideia, os Estados Unidos, que tem uma das maiores frotas de veículos motorizados do mundo, composta por mais de 250 milhões de unidades, apresenta somente cerca de 275 mil veículos elétricos e híbridos. No Brasil, os números são irrisórios. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), dos 41,5 milhões de veículos que trafegam no país, apenas 2,5 mil são movidos à eletricidade.

No Brasil, o preço é ainda um dos principais obstáculos para a popularização do veículo elétrico. Para começar, no que se refere a carros, o país conta com apenas um modelo puramente elétrico disponível à venda para o consumidor comum. Trata-se do BMWi3, que na versão mais modesta, custa aproximadamente R$ 170 mil. O automóvel híbrido elétrico – que combina motor elétrico com motor de combustão interna – apresenta mais opções disponíveis ao consumidor, mas nenhuma delas sai por menos de R$ 120 mil. Tendo em vista que os carros populares convencionais (movidos somente a combustão) no Brasil custam cerca de R$ 30 mil, fica clara a diferença de preços entre os dois tipos de tecnologias.

Conforme o presidente da ABVE, Ricardo Guggisberg, o veículo elétrico é bem mais caro do que um veículo comum muito por conta da tecnologia empregada. O veículo híbrido, por exemplo, conta com dois motores, um a combustão e outro elétrico, um sistema de regeneração de energia e a bateria recarregável. O preço fica ainda mais elevado quando se trata dos veículos elétricos puros, em que a bateria corresponde a 50% do valor do carro. “Com o aumento da escala, porém, a tendência é que esse valor diminua”, pondera Guggisberg.

A alta carga tributária é outro fator que torna os valores finais dos veículos elétricos menos competitivos do que os dos veículos convencionais, segundo o presidente da ABVE. Não que incentivos governamentais para baratear o preço do veículo, a fim de popularizá-lo não tenham existido. Por exemplo, no final de 2015, a Câmara do Comércio Exterior (Camex) aprovou resolução incluindo veículos híbridos e elétricos na Lista Brasileira de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul. Com tal medida, reduziu de 35% para 0% o Imposto de Importação (II) para automóveis puramente elétricos ou movidos a hidrogênio. Também em 2015, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, assinou decretos isentando proprietários de veículos elétricos, movidos a hidrogênio ou híbridos de pagarem 50% (a parte que cabe ao município) do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Apesar das iniciativas, como visto, o preço do veículo elétrico continua bem mais caro do que o do veículo convencional. Para o presidente da ABVE, uma forma de tornar o preço dos automóveis elétricos mais competitivo seria por meio de bônus de incentivos pagos por tecnologias antiquadas e poluentes, forçando assim o subsídio inicial e desestimulando emissões de veículos não eficientes e sustentáveis.

Mais um obstáculo que trava a popularização do veículo no país é, segundo Guggisberg, a ausência de incentivos fiscais, que acaba por desestimular a produção local de veículos em situação de SKD (Parcialmente desmontados) e CKD (completamente desmontados).

Há também a falta uma malha de infraestrutura de recarga.
A fim de solucionar este problema específico, o presidente da ABVE propõe um plano mínimo de desenvolvimento alinhado com o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 65, que está em tramitação e pretende instituir a obrigatoriedade de instalação de pontos de recarga para veículos elétricos em vias públicas e em ambientes residenciais e comerciais. A sugestão da entidade é que os eletropostos sejam instalados em conjunto pela iniciativa privada e pelas concessionárias de energia elétrica. “A instalação, porém, deve ser combinada com projetos e concentração de uso da recarga por veículos elétrica, como taxi e carro compartilhado”, explica. O presidente alerta também para a necessidade de regulação da cobrança da energia que será utilizada no posto, assim como a necessidade de procedimentos claros para a instalação de eletropostos públicos e suas responsabilidades.

O principal empecilho para a maior difusão dos veículos elétricos nos país, no entanto, conforme o presidente da ABVE, é a falta de uma política pública que incentive os veículos elétricos, seja através de incentivos financeiros, como a redução de impostos, seja por meio de outros benefícios, tais quais: a liberação do uso da faixa exclusiva de ônibus, liberação do rodízio de veículos (como já feito na cidade de São Paulo); bolsões exclusivos de estacionamento; e acesso restrito à veículos sustentáveis em algumas áreas da cidade.

Baterias elétricas
A baixa autonomia de um veículo elétrico também é um gargalo que dificulta sua entrada com mais força no mercado automotivo do país. Conforme Guggisberg, a autonomia dos veículos elétricos puros varia de acordo com a composição das baterias embarcadas, sendo, em geral, de aproximadamente 300 km. Um carro popular que funciona a gasolina apresenta, em média, uma autonomia de quase 600 km, ou seja, o dobro.

Para acabar com essa limitação, a pesquisa para o desenvolvimento de novas materiais e diferente químicas vem sendo intensificada nos últimos anos. “A cada dois meses temos novas tecnologias”, comenta o presidente da ABVE. Conforme Guggisberg, o crescimento das tecnologias foi e tem sido enorme, muito mais que exponencial, e há baterias (ainda não comercializadas em larga escala no país) cuja autonomia pode chegar a 800 km. O presidente da associação afirma que a bateria lítio-íon não é mais a única solução, destacando também o desenvolvimento do supercapacitor, que, em conjunto com a bateria, permite que o veículo elétrico tenha potência para os arranques e ultrapassagens mais eficientes.

Somada à limitação da bateria, outra desvantagem do veículo elétrico é o tempo de recarga, que pode ser realizada em casa, mas demora cerca de oito horas. Já foi desenvolvida, porém, uma tecnologia de recarga rápida, que demora em torno de 20 minutos e é realizada em eletropostos. Segundo o presidente da ABVE, no que se refere ao carregamento rápido, o mundo está buscando uma harmonização, haja visto que cada país apresenta um tipo de tecnologia. “Ásia, Europa e Américas se conversam para uma solução universal em carga com corrente contínua, potência, e tipo de conexão”, adianta Guggisberg.

Atualmente, no Brasil, a maioria dos eletropostos está instalada em empresas ou shoppings centers. “A disponibilização em áreas públicas, como parques, praças e estacionamentos, começou há pouco tempo, sendo realizada através da iniciativa conjunta de montadoras”, comenta Guggisberg. São pouco menos de cem postos instalados, que se restringem a algumas áreas metropolitanas da Região Sudeste do país. A maior unidade está sutada na cidade de Campinas, interior de São Paulo. A expectativa da ABVE é que, por meio de incentivos do governo e iniciativas privadas, se atinja a marca de 5000 postos de recarga até 2020.

Programa de Mobilidade Elétrica na Região metropolitana de Campinas (SP)

Uma importante iniciativa para divulgar e acelerar o processo de popularização do veículo elétrico no Brasil vem da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), distribuidora de energia para o interior de São Paulo. A empresa desenvolveu um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no âmbito da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), intitulado “Inserção Técnica e Comercial de Veículos Elétricos em Frotas Empresarias da Região Metropolitana de Campinas”. A cidade do interior paulista é sede da concessionária e um dos municípios atendidos pela distribuidora.

O objetivo do projeto, segundo a CPFL, é a constituição de um laboratório de mobilidade elétrica na região metropolitana de Campinas para permitir a coleta de dados sobre as diversas aplicações e implicações da tecnologia, possibilitando o estudo e aprofundamento dos impactos dos veículos elétricos para o setor elétrico, além de proporcionar a criação de uma cultura em mobilidade elétrica para a cidade e também para o país. O projeto está sendo executado pela CPFL em conjunto com o Centro e Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Daimon, empresa de engenharia especializada em serviços de regulação, desenvolvimento de soluções em software, estudos e projetos de pesquisa e desenvolvimento e novos negócios voltados ao setor energético.

Diversos estudos estão sendo realizados dentro do projeto, entre os quais: viabilidade econômico-financeira; impactos da utilização de veículos elétricos como fonte de geração distribuída para a rede distribuição; requisitos técnicos e condições mínimas de segurança para instalação dos eletropostos no Brasil; ciclo de vida dos veículos e das baterias; e impactos causados pelas conexões de veículos elétricos nas redes de média e baixa tensão e na qualidade da energia.

Em relação aos impactos elétricos nas redes de distribuição, a professora da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC) da Unicamp, Fernanda Arioli, destaca que “as consequências são bem maiores na rede de baixa tensão”. Levando-se em conta que a recarga de um veículo elétrico em uma residência demora entre 4 e 8 horas, o aumento de carga na rede de baixa tensão é similar ao de um chuveiro elétrico, conforme a docente. Isto pode ocasionar sobrecarga no condutor e queda de tensão, afetando a qualidade da energia não somente da residência onde o veículo elétrico está sendo recarregado, como também das residências vizinhas.

Um complicador dessa situação é a tendência de a recarga dos veículos elétricos ser realizada pelos proprietários logo após a chegada do trabalho, gerando um pico de carga na rede no início do período noturno. Segundo a professora da Unicamp, a solução para o problema seria a mesma tomada pelas distribuidoras quando há um aumento de carga em determinadas épocas do ano, como no verão, em que o uso dos aparelhos de ar-condicionado aumenta e com isso a carga na rede também.

Já no que se refere à média tensão, a recarga de veículos elétricos em eletropostos para recargas rápidas não acarreta, segundo estudo da Unicamp, impactos muito grandes à rede. Além disso, segundo Arioli, a tendência é de que os proprietários de carros com esse tipo de tecnologia não utilizem tantos os eletropostos como os proprietários de veículos de combustão usam os postos de abastecimento. Até porque já o carregariam na tomada de suas residências. Neste sentido, não haveria a necessidade da implantação de muitos postos pelas cidades, devendo ficar assim restritos às rodovias. “A tendência também é que o custo da energia elétrica nos postos de recarga seja maior do que nas residências”, diz a docente. Isto porque a energia dos postos não seria distribuída diretamente pela concessionária, mas sim por uma empresa comercializadora.

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domingo, 15 de outubro de 2017

FIQUE POR DENTRO DAS MELHORES TÉCNICAS DE ILUMINAÇÃO EM CADA PROJETO DE ARQUITETURA!



Ao comprar lâmpadas, temos que observar muito além dos aspectos de tensão e de potência. A temperatura da cor da luz, por exemplo, é um fator que interfere diretamente no projeto arquitetônico. Antes de escolher a temperatura ideal, é preciso observar a funcionalidade do ambiente, já que locais aconchegantes e confortáveis, como os quartos e salas de estar, pedem luzes amareladas e mais quentes.
Já os locais que exigem mais concentração, como os escritórios e indústrias, devem ter lâmpadas que emitem luz branca ou branca-azulada — também chamadas de frias. Mas não é só a temperatura da cor que deve ser levada em consideração. Existem diversas técnicas de iluminação para projeto luminotécnico de arquitetura específicas para cada ambiente. A seguir, vamos te mostrar as principais! Vamos ver?

Técnicas de Iluminação para Projetos de Arquitetura Residencial
Ao escolher as técnicas de iluminação para projetos residenciais, é preciso estabelecer a função de cada ambiente e a relação que o morador terá com ele. Veja algumas dicas:
Sala de Estar: o ambiente precisa ser agradável e aconchegante, por isso, as lâmpadas amareladas são as melhores opções. A iluminação focada, feita a partir de lâmpadas refletoras, é sofisticada e atual, mas deve ser usada com cautela para não criar a sensação de ofuscamento;
Cozinha: as lâmpadas com alto Índice de Reprodução da Cor (IRC) são as mais indicadas, como as incandescentes;
Quarto: luzes uniformes e indiretas são as melhores para este ambiente, mas é necessário ajustá-las de acordo com as atividades que serão desenvolvidas no quarto (leitura, televisão etc). Uma dica é implantar um controle para a intensidade da lâmpada (dimerização);
Escritório: a iluminação deve ser focada nos livros e nas estantes, mas é preciso tomar cuidado com o ofuscamento. Lâmpadas de LED de cor branca são boas opções, pois são consideradas estimulantes;
Banheiro: a luz deve ser uniforme e intensa, principalmente quando for próxima à pia. Evite ao máximo lâmpadas refletoras.

Para restaurantes e lanchonetes
Você já deve saber que a iluminação influencia diretamente no tempo de permanência dos clientes em determinado local. Por isso, escolher as técnicas corretas é essencial para esses tipos de projetos de arquitetura.
Lâmpadas com temperaturas de cor claras e fortes estimulam a agilidade, sendo ideais para refeições rápidas em lanchonetes e self-services, por exemplo. Já as luzes mais suaves promovem a sensação de conforto e incentivam a permanência no ambiente, sendo mais indicadas para restaurantes a la carte.
Dica: utilize lâmpadas de alto Índice de Reprodução de Cor na área em que os alimentos serão expostos, no caso do self-service; e escolha luzes de LED para evitar a presença desagradável de insetos.
Para lojas de varejo
Assim como nos restaurantes, um cliente de uma loja de varejo precisa se sentir confortável e estimulado a permanecer por mais tempo no local. Nesse caso, as lâmpadas frias são ótimas opções.
Mas tome cuidado: utilizar somente este tipo de iluminação pode criar um efeito impessoal e sério demais. O ideal é investir em luzes frias para as áreas maiores e quentes para dar destaque a ambientes específicos, como as vitrines. Somente tome cuidado para não escolher lâmpadas que ofusquem a visão.
Além disso, não tenha medo de utilizar as cores (sem exagero, é claro). Segundo pesquisas da cromoterapia, alguns tons têm o poder de gerar diferentes sensações — o azul, por exemplo, cria um ambiente de tranquilidade.

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domingo, 8 de outubro de 2017

LANÇADA CERTIFICAÇÃO PARA EDIFICAÇÕES AUTOSSUFICIENTES EM ENERGIA



O Green Building Council Brasil (GBC Brasil) lançou, recentemente, a Certificação Zero Energy Building para as edificações que comprovarem que o consumo de energia local de sua operação anual é zerado por uma combinação de alta eficiência energética e da geração de energia por fontes renováveis.

Como premissa de desenvolvimento foi assegurada a participação de todos os tipos e padrões de edificações existentes no Brasil, sem a necessidade de grandes investimentos financeiros para isso. “Há total viabilidade econômica e estaremos premiando os melhores do mercado que atuam com excelência no planejamento, conceituação integrada de projeto, comunicação entre equipes, automação, tecnologia, estímulo a energias renováveis, conscientização dos ocupantes e excelência na operação predial. Já temos projetos diversos registrados no Brasil, casas, prédio residencial, creche pública, prédio comercial, centro de pesquisas e outros”, afirma Felipe Faria, diretor executivo do GBC Brasil e presidente Regional da Rede das Américas.

Os quesitos para a certificação estão nas ações para maximizar a eficiência energética, a geração de energia renovável no local ou remoto (on-site ou off-site) e a compra de Certificados de Energia Renovável (REC), que comprovam a natureza da energia que a edificação utiliza.
A certificação foi lançada durante a oitava edição do Greenbuilding Brasil Conferência Internacional e Expo, realizada em São Paulo, entre 8 e 10 de agosto. No entanto, antes mesmo do lançamento oficial da certificação, o GBC Brasil já havia registrado 12 projetos pioneiros que buscam a certificação GBC NET ZERO nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso. São eles:

  • CICS – Centro de Inovação em Construção Sustentável (USP);
  • Sede RAC Engenharia – Curitiba (PR);
  • Creche Municipal Hassis – Florianópolis (SC);
  • Sede SINDUSCON PR – Curitiba (PR);
  • Casa do Futuro – Atibaia (SP);
  • Catuçaba – São Luiz do Paraitinga (SP);
  • Montage Botafogo – Campinas (SP);
  • Escritório Advocacia De Paola & Panasolo – Curitiba (PR);
  • Casa Mão Verde – Piracicaba (SP);
  • Lar Verde Lar – Governador Valadares (MG);
  • Sede Sebrae MT – Cuiabá (MT);
  • Geonergia – Tamboara (PR).
O Brasil é o segundo país (depois do Canadá) a implementar essa certificação para o setor de construção, tornando-se um exemplo para os demais países. A iniciativa é do World Green Building Council, que tem por objetivo acelerar a geração de energia por fontes renováveis, o conceito de geração distribuída e fomentar grandes avanços no que tange a eficiência energética.

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sábado, 30 de setembro de 2017

PPPs PARA ILUMINAÇÃO PÚBLICA COM TECNOLOGIA LED NACIONAL


Prefeituras e Governos Estaduais ganharam uma nova oportunidade de oferecer com eficácia serviços à sociedade que estão sob sua responsabilidade. Um dos exemplos é a iluminação pública, cujo impacto na segurança da população, tanto no tráfego de veículos, como na segurança do pedestre, é perceptível no dia a dia dos brasileiros.
As parcerias público-privadas (PPPs) são uma opção para que a iluminação pública, assim como demais necessidades de organização das cidades sejam oferecidas com mais qualidade e menores custos para a gestão pública e o cidadão.
O BNDES está investindo, a partir deste ano, nas principais cidades do país, a fim de oferecer melhorias nos serviços prestados pelas Prefeituras, principalmente, à população. Nesta linha, o banco está oferecendo financiamento de PPPs que substituam o parque das luminárias com lâmpadas a vapor de sódio e mercúrio por luminárias inteligentes com Leds.
Os Leds, com custos globais de utilização reduzidos à metade, ganhos na eficiência energética e eliminação de lâmpadas que contém materiais altamente tóxicos, como o mercúrio, trazem boas razões para que estes investimentos sejam feitos.
A grande quantidade de pontos públicos a serem iluminados, estimada em 15 milhões de luminárias no Brasil, abrem também uma significativa oportunidade de negócio para os fabricantes nacionais de luminárias.
Identificado este valor estratégico da tecnologia Led, com potencial de oferecer melhores serviços com por meio de equipamentos de fabricação brasileira, o BNDES optou por oferecer condições de financiamento a luminárias Led com tecnologia nacional.
Com isso, instituições de P&D&I têm a possibilidade de auxiliar os fabricantes destes produtos a desenvolver soluções para a temática, através do mercado criado por juros menores e maior competitividade para a indústria nacional.
Vale destacar que os critérios para o desenvolvimento de produtos de tecnologia, segundo a legislação brasileira, são regulados pelas Portarias 950/06 do MCTIC, que não apenas atestam, mas também incentivam o projeto e o desenvolvimento de produtos e equipamentos com base eletrônica. No mesmo contexto, a portaria 1.309/13 do MCTIC especifica, normatiza e padroniza o projeto e o desenvolvimento de componentes eletrônicos semicondutores no país.
Belo Horizonte já iniciou sua iniciativa de iluminação pública com luminárias Led, sendo pioneira no Brasil no setor. Na metade de maio de 2017, o Prefeito Alexandre Kalil assinou a ordem de serviço de revitalização e ampliação da iluminação pública. Kalil se empenhou numa negociação intensa com a concessionária de energia da capital mineira e conseguirá, com isso, garantir 45% de redução no consumo de energia na cidade e aumento de 10% a 50% de economia do valor da energia utilizada.
As instituições de P&D&I, como a Fundação CERTI, comemoram o avanço de Belo Horizonte e já visualizam PPPs como um modelo consistente de concessão e profissionalização de serviços públicos, que utilizem tecnologias nacionais.
A iluminação pública brasileira, de acordo com dados da Abilux e BNDES, é um mercado de R$ 20 bilhões em equipamentos e que afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas. É necessária, neste momento, a conscientização de autoridades públicas para que esta possibilidade seja viabilizada e as negociações com as concessionárias sejam efetuadas. Afinal, os brasileiros almejam viver melhor e ter acesso a vias seguras e bem iluminadas nas cidades.

* Por Manuel Steidle, diretor do Centro de Conversão Digital e Mecatrônica da Fundação CERTI



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sábado, 23 de setembro de 2017

PROJETO LUMINOTÉCNICO: O QUE CONSIDERAR AO FAZER UM


O acirrado mercado da construção civil demanda dos profissionais de arquitetura uma constante busca por especialização. E um caminho obrigatório para se diferenciar nesse contexto é qualificar-se, sobretudo, nas tendências e práticas mais modernas do mercado, a exemplo do desenvolvimento de projeto luminotécnico.
O Professor do curso de Master em Arquitetura e Lighting da PRAEVI|IPOG, Daniel Feldman, que também é Mestre e Doutor em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, esclarece que o assunto iluminação está dentro de grandes áreas, como Engenharia, Arquitetura e Design de Interiores. “Ela é parte de um todo muito maior. Quem trabalha nessa área e é apaixonado por iluminação sabe que luz faz muita diferença em um projeto e que pode valorizar bastante aquele ambiente iluminado, como pode também descaracterizá-lo”, ressalta.
Para compreender melhor isso na prática, o professor menciona algumas das vantagens de se investir em um projeto luminotécnico:
·        Agrega valor ao imóvel: seja em uma residência ou ambiente comercial, ao estruturar um projeto luminotécnico adequado é possível atribuir valor ao espaço, potencializando e valorizando o que há de melhor nele.
·        Melhora a experiência de quem circula nele: independente do espaço, ao adequar a iluminação ao uso dele a experiência fica mais personalizada e confortável a quem passa pelo ambiente.
Contratar arquiteto ou uma empresa?
Mesmo ciente da necessidade de estruturar um projeto luminotécnico, na hora de fazer o planejamento da iluminação de uma casa, surge então a dúvida sobre recorrer a um arquiteto ou uma empresa.
Muitas pessoas têm receio em contratar arquitetos achando que não são viáveis e acabam buscando uma empresa especializada em iluminação.
Mas é essencial esclarecer o cliente que projetos dessa natureza, além de bem eficazes, promovem economia, praticidade e sustentabilidade.
Como iniciar um projeto luminotécnico
A falta de conhecimento técnico é o principal empecilho que leva profissionais a não chegarem ao resultado esperado (tanto por ele, mas principalmente pelo cliente). Nesse sentido, há aspectos que não podem ser ignorados. Basta um só fator que pode comprometer toda a qualidade do serviço.
O primeiro passo é verificar qual a necessidade das pessoas que moram ou vão morar no local. A iluminação é tão importante que pode influenciar no bem-estar e na saúde de todos que ali convivem. É necessário verificar quais as atividades serão realizadas em cada cômodo para adequar os tipos de luzes para cada ambiente.
Para saber como é isso na prática, Feldman enumera quatro pilares essenciais que o profissional precisa passar para prestar um serviço de qualidade:
1.     Estudo preliminar: nesse momento é essencial ter uma conversa com o cliente para entender as necessidades e quais expectativas ele possui no projeto (qual orçamento, prazo, etc). Para essa etapa, é fundamental ter também em mãos a planta baixa DWG e definições mais exatas possíveis da distribuição do mobiliário e o projeto definitivo de arquitetura.
2.     Projeto de aprovação (ou anteprojeto): você pode apresentar imagens inspiradoras para demonstrar mais facilmente o cliente quais referências foram buscadas. É importante sinalizar nessa etapa também que o projeto luminotécnico atende ao limite de carga de energia.
3.     Projeto de execução: aprovadas as etapas anteriores, é hora de entregar um caderno com as especificações dos itens e orientações sobre a aquisição de materiais similares, a fim de não comprometer o resultado final com itens que fujam das características concebidas.
4.     Assistência na execução da obra: é uma etapa importante para garantir que o detalhamento previsto saia do papel e se incorpore à obra. Nessa etapa, podem surgir imprevistos que irão demandar um olhar especializado (por isso, é fundamental o acompanhamento).
De acordo com Feldman, esses quatro blocos são sucessivos e servem para coletar informações, desenvolver estudos técnicos e emitir os produtos finais para direcionamento da obra.
O tipo de lâmpada mais adequado para cada local
Para cada cômodo existe uma lâmpada mais apropriada. Elas estão disponíveis em diferentes cores e efeitos, portanto a sua utilização deve ser usada com cautela para não trazer desconforto. As luzes brancas se adaptam melhor nas cozinhas e nos banheiros, pois são lugares que necessitam de boa iluminação.
Na sala de estar e nos quartos o ideal é uma luz amarela e que não esquente muito, para proporcionar um ambiente mais aconchegante. Nas varandas e nas áreas de lazer é possível utilizar luzes que realçam as cores naturais. Como trata-se de um lugar de descontração, luzes coloridas também combinam.
Mas lembre-se que se for um local sem cobertura as lâmpadas terão que ser resistentes às chuvas.
Os modelos disponíveis no mercado
Iluminação difusa
A iluminação difusa é a mais utilizada. É aquela em que a lâmpada fica disposta no centro do teto e ilumina todo o ambiente.
Iluminação direta
Outro modelo é a direta, quando a luz ilumina somente um determinado objeto ou superfície. É muito utilizada em salas de estudos e escritórios. Elas também dão um efeito muito sofisticado quando iluminam uma peça de decoração como uma planta, por exemplo.
Iluminação indireta
O último tipo é a indireta, quando a luz é focada para uma superfície, como o teto de gesso, sendo que a luz se expande de forma sutil, iluminando o resto do cômodo.
A importância da luz natural no projeto luminotécnico
A utilização da iluminação natural além de produzir um ambiente mais confortável, ajuda a economizar energia, diminui o cansaço ocular e contribui para um clima mais fresco e saudável.
Uma dica para aumentar a incidência da luz natural é não posicionar os móveis em locais que bloqueiam as janelas e optar por cores mais claras na hora de escolher o mobiliário. O uso de espelhos em frente as janelas é uma boa opção, pois reflete a luz que vem de fora.

Durante o dia utiliza-se a luz natural e a noite utiliza-se um sistema de luzes artificiais, criando uma integração bastante favorável entre esses dois tipos de iluminação.



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sábado, 16 de setembro de 2017

LUZ E SOMBRA

A iluminação é uma parte de extrema importância em um projeto arquitetônico. As mais variadas construções e localidades podem adquirir outra faceta dependendo da luz que nelas estiver inserida ou se nelas não se inserir luz alguma. Muitas vezes, ao entrar em um estabelecimento comercial ou em uma residência, sentimos uma sensação agradável que não conseguimos explicar. Esta sensação pode estar vindo da luz que ilumina o ambiente. Pensada para funcionar de maneira harmônica, ela é usufruída pelo indivíduo sem que este nem mesmo perceba. A iluminação pode também incomodar. Quem nunca reclamou, em um escritório, daquela luz branca, forte, que dá dor de cabeça e acaba até atrapalhando o desempenho no trabalho? Em locais públicos, como ruas, avenidas e praças, a falta de iluminação é o que afeta os transeuntes. Excesso de escuridão, nesses casos, gera insegurança, diminui o tráfego de pedestres após o pôr do sol, e coíbe a vida noturna nestas áreas.
Neste sentido, o papel de um especialista em projetos de iluminação, o chamado lighting designer, torna-se essencial, pois será este o profissional que irá pensar nos tipos de lâmpadas, luminárias e na disposição destes equipamentos nos ambientes, a fim de que a experiência da pessoa no local seja a mais agradável e proveitosa possível. Obviamente, levando-se em conta o tipo de atividade que ali será realizado. O sócio proprietário da empresa especializada em projetos luminotécnicos Arquitetura da Luz, Edmir Malveze, explica que “a luz é um estudo”, e que sendo, assim, “ela deve ser muito bem aplicada dentro do que o projeto realmente necessita”.
Baseando-se na experiência de 16 anos que tem no mercado, com aproximadamente cinco mil projetos realizados, Malveze afirma que pode se estabelecer uma diferença básica entre projetos voltados para residências, por exemplo, e projetos direcionados a escritórios corporativos, indústrias e estabelecimentos comerciais  Isto em razão da norma ABNT NBR ISSO/CIE 8995-1:2013, que substituiu a antiga ABN NBR 5413, que estabelece os valores de iluminância média mínima em serviço para iluminação artificial em interiores, onde se realizam atividades de comércio, indústria, ensino, esporte e outras.
“Então, quando falamos de um projeto decorativo, residencial ou até em lojas, em que não precisamos efetivamente pensar nestas normas, estamos tratando de um projeto mais tranquilo”, explica o proprietário da Arquitetura da Luz. Ou seja, neste tipo de projeto, a preocupação maior é com a decoração, se a luz ficará agradável ou se embelezará o ambiente.
No caso de projetos direcionados ao ambiente corporativo, segundo Malveze, o projetista precisa ter em mente que é preciso respeitar, entre outras coisas, por exemplo, o mínimo de 500 lux em uma mesa de trabalho. Assim, em projetos deste tipo, a margem para o designer usar sua criatividade diminui sensivelmente.
Além de influenciarem o tipo de iluminação a ser empregada em cada tipo de ambiente, as exigências normativas afetam também a forma como os lighting designers atuam. Pois, quando o projeto envolve a aplicação de normas técnicas, o projetista precisa do auxílio de um software de cálculo luminotécnico. Para ilustrar a utilização do programa computacional, Malveze cita um exemplo bem prático: a iluminação de um escritório em que há a necessidade de ter 500 lux no plano de trabalho. Em primeiro lugar, determina-se a luminária que será utilizada. Depois, junto com esta informação, são inseridas no software – como, por exemplo, o Dialux – diversas informações relacionadas ao projeto, como as dimensões do ambiente, o pé direito, os acabamentos, a cor da parede, a cor do piso, do teto.  “Em cima disso ele vai nos dar a quantidade de luminárias necessárias para o projeto. “É matemática pura: metragem quadrado, lux, lumens”, diz.
Não obstante, de acordo com o sócio proprietário da Arquitetura da Luz, o fato de o designer ter que se preocupar, primeiramente, com as normas a serem seguidas em um projeto como este não quer dizer que ele não possa exercer sua criatividade e projetar uma iluminação personalizada, que siga orientações do cliente, caso este queira algo diferenciado. Malveze explica que, quando se trata de iluminação, é necessário distinguir, de pronto, os dois produtos essenciais dos projetos: a lâmpada e a luminária. “Eu costumo dizer que a luminária é roupa da lâmpada. Então, temos roupas mais bonitas, mais feias, mais simples, mas quem manda mesmo é a lâmpada”, conta. Desse modo, entende-se que, se não é possível mexer na lâmpada, já que é preciso que ela emita a quantidade de lux exigidas pelas normas, é aceitável ousar nas luminárias.
Quando a solicitação do cliente é um projeto básico, costumam-se utilizar, segundo Malveze, refletores de alto brilho, as chamadas luminárias aplicadas, que formam a curva de luz necessária, para que no ambiente se exerça a atividade laboral sem problemas. “Mas, muitas vezes, o projeto necessita de um design de iluminação mais interessante, pois o cliente quer ter um espaço descolado. Então, nós usamos, sim, luminárias decorativas, com um apuro estético, contudo, mesmo assim conseguimos aplicar os luxes necessários”, explica.


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